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Divisão 1
Brasil, 1970. O automobilismo tupiniquim dava um grande salto em sua história com a ida de Emerson Fittipaldi para o exterior, em São Paulo, após três anos fechado para reformas o autódromo de Interlagos reabre trazendo consigo novas categorias e novos pilotos além, claro, daqueles que aguardavam ansiosos a reabertura da pista para despejar toda a adrenalina armazenada durante esse período de “seca de asfalto”. Nascia aí a Divisão 1.
Em relação à sua prima Divisão 3, a nova categoria tinha um índice de custos relativamente baixo devido a seu regulamento que não permitia muitas modificações nos veículos, sendo eles quase originais, a não ser pela fixação do “arco de segurança” (Santantônio) permitindo ao piloto utilizar o veículo tanto para passeio como para corridas.
De seu nascimento até 1973 a categoria tinha suas etapas disputadas em provas de 10 a 15 voltas sempre em Interlagos e era dividida em três classes, porém correndo todos juntos:
Classe A: para veículos de 1300 até 1600cc;
Classe B: para veículos de 1601 até 3000cc;
Classe C: para veículos com motores de acima de 3000.
Apesar do alto número de participantes, sempre acima dos 40 carros, a Divisão1 nunca teve grandes patrocinadores para bancar o evento, apenas uma vez por outra eram disputados os “Torneios Havoline”, “Copa Souza Cruz” com uma pequena ajuda da fábrica.
A categoria foi também um berço de pilotos revelando nomes como Luis Otávio Paternostro, Xandy Negrão, Roberto “Carreta” Sávio, Toninho da Matta, Fábio Sotto Mayor hoje consagrados, alem de dois “gringos”, o Argentino Juan Maria e o Uruguaio Pedro Passadore.
Chegado o ano de 1974, a categoria passou a contar além do campeonato paulista, com o Campeonato Brasileiro de Divisão 1, passando então a ultrapassar os limites de São Paulo e “caindo” pelo Brasil afora, chegando a participarem da inauguração dos autódromos de Goiânia e Distrito Federal.
Nessa fase em que a categoria alcançou seu auge, as etapas passaram a ser disputada em provas de longa duração, como 500 km, 1000km, 6 horas, 24 e 25 Horas. Com isso o evento arrastava para os autódromos brasileiros cerca de 30.000 mil pessoas por prova, para acompanharem pegas, disputas e ultrapassagens audaciosas.
Mas ao início de 1978 o campeonato passou a ter duas classes monomarca e foi dividido da seguinte forma:
Classe A: Para Fiat 147 até 1300cc (Fórmula Fiat)
Classe B: Para Passat e Dodge Polara até 2000cc
Classe C: Para os Opala acima de 2000cc e aí a categoria perdeu um pouco de seu charme inicial, porem ainda muito bem disputada pelos novos carros e participantes.

Classe A

No início, o torneio parecia uma categoria monomarca totalmente dominada pelos Fuscas 1300, que reinaram até 1973 quando chegaram os 1500cc e posteriormente os carros com motores 1600cc, como a Brasília, TL, Kharman Ghia TC e Variant. Tempos mais tarde para bater de frente com os VW, a Ford chegou com o Corcel e a Chevrolet apresentava o Chevette que em pouco tempo dominou as etapas em números de carros. Em 1974, Roberto “Carreta” Sávio e Antonio Ribeiro o “Didico” correndo pela equipe Elfcar Fukuda, adquiriram um VW Brasília que foi totalmente desenvolvido para as competições, conquistando o título desse mesmo ano, e nas mãos de Carreta o carro marcou o recorde de Interlagos pela categoria com o tempo de 4:14.015 ,sendo essa a última participação da equipe na classe A.

Classe B

Nessa classe, considerada de “médio porte”, andaram veículos que mais tarde se tornariam ícones da indústria automobilística brasileira, como os poderosos e amados Opalas 2500cc, defendendo a Chrylser os Dodges Polaras 1800, rápidos ariscos e bem competitivos, carro que ajudou Fábio Sotto Mayor ser campeão do Torneio do campeonato paulista de marcas (antigo nome da D1) em 1972 e posteriormente campeão da D1 em 1973 e vice-campeão em 1976 perdendo o título para e João Batista que também corria de Polara.

Classe C

Como diz o ditado: “aqui é briga de cachorro grande” era mesmo.
Formando o grid nessa classe estavam os Opalas 4.1 e os Ford Maverick V8 que atropelavam aqueles que ousavam ficar à sua frente. Destaque para essa classe eram as equipes e pilotos, aqui correram os famosos Mavericks da equipe Finasa Greco na qual, Paulão Gomes em parceria com José Carlos Pace e Bob Sharp tiveram o privilégio de pilotar essas máquinas maravilhosas. Também correndo de Maverick, Camillo Christófaro Jr. contornou as curvas de vários autódromos do Brasil pela categoria, e começando a mostrar que “filho de peixe, peixinho é”.
Com Opalas, Jan Balder, Carreta, Paulão, professor Expedito Marazzi entre outros grandes nomes, rasgaram retas e contornaram várias curvas pela categoria em busca dos melhores tempos.
Essa classe foi a única que permaneceu desde a criação até a morte da categoria no final de 1979, ano em que os pilotos Paulão Gomes, Zeca Giaffone, Afonso Giaffone, Alencar Jr., entre outros também já participavam da recém-criada Stock Car.
Preparação
Ao contrário dos dias de hoje em que o piloto para disputar uma competição necessita de um veículo específico para a atividade, os pilotos da Divisão 1 não tinham esse problema, isso porque o campeonato era disputado por veículos originais, “podíamos apenas retrabalhar a parte interna do carburador, porém mantendo a borboleta e o difusor originais e podíamos também balancear o Virabrequim” explica Fukuda, um dos principais preparadores da época, “amortecedores, suspensão era tudo desenvolvido pelos preparadores, pois ninguém tinha dinheiro para comprar nada, quanto aos freios, tínhamos que escolher pastilhas boas e rezar para parar no final da reta”, comenta Roberto “Carreta” primeiro campeão do campeonato brasileiro de Divisão 1. Além do Fukuda, podemos destacar ainda nomes como Luis Antônio Greco, Vinicius Losacco, Silvano Pozzi, entre outros que não deveram nada a ninguém. Os pneus eram os radiais originais e o veículo ainda mantinha todos os bancos, forros de portas e isolamentos acústicos, sendo retirados apenas os pára choques, para não haver o risco dos carros se enroscar um ao outro numa disputa por posições e podendo ser adaptado manômetros e conta-giros, além dos itens de segurança.
Para que se tenha idéia da originalidade do carro, alguns pilotos corriam no fim de semana e nos dias de “branco” utilizavam o mesmo carro para ir trabalhar ou ir ao mercado. Teve piloto que chegou a ir “rodando” com o carro na rodovia para as corridas fora de São Paulo, veja se pode.
Alguns Campeões
Na galeria de campeões destacamos algumas das feras que começaram a fazer história no automobilismo através dessa categoria:

Classe A

Fábio Sotto Mayor – 1972 ( Torneio)
Roberto Sávio e Didico –1974
Francisco Artigas e Eduardo Dória – 1975
José Águiar - 1976
Toninho da Matta - 1978
Classe B
Fábio Sotto Mayor – Polara – 1973
Francisco Artigas -1975
João Baptista – Campeão- Fábio Sotto Mayor - vice-campeão - 1976
Luis Otavio Paternostro –Passat - 1977
Antônio Da Matta – Passat - 1978

Classe C

José Carlos Pace/Paulo Gomes – Maverick - 1975
Bob Sharp – Maverick - 1976
Edgard Mello Filho – Opala - 1977
Affonso Giaffone - Opala - 1978

Texto e Fotos: Dê Machado
 
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