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Copa Fusca
 
Resistência, charme e muita força, essa é a receita para uma das categorias do automobilismo, mais antigas ainda em atividade, depois da Stock Cars, e das tradicionais Mil Milhas e 500km.
 
Trata-se do campeonato de Copa Fusca 1600cc, disputada como o nome já diz apenas por Fuscas com motores de 1600cc.
 

O Campeonato

 
O mito do automobilismo mundial, ganhou sua própria categoria no estado de São Paulo, no ano de 1986, com o término da categoria Hot Cars, (antiga Divisão3) que andavam com a “baratinha” equipada com motores fortes e pára-lamas bem alargados.
 
Agora com a aparência original do Fusca e utilizando o motor 1600cc original, o “Fusquinha” percorria a pista velha de Interlagos em 2:43.200.
 
Com o novo traçado vieram novos regulamentos, novos tempos e novos pilotos, chegando a largar mais de 60 carros num só grid.
 
A primeira pole no traçado novo foi marcada com o tempo de 2:17.345 em 1990.
 
Diversas mudanças foram acontecendo com o passar dos anos, marcas de pneus mudaram, mudanças no trabalho de motor e regulagem de suspensão.
 
Em 1996 com essas diversas mudanças, Renato Morgillo marcou a pole da décima etapa marcando o tempo de 2:08.700.
 
Dê lá para cá os tempos se mantiveram na casa dos dois minutos e oito segundos.
 
Hoje os “besourinhos” como são conhecidos nas pistas, embora ainda seja um dos maiores atrativos do campeonato paulista de velocidade,infelizmente luta para manter-se no cenário automobilístico e revelar novos pilotos.
 
Como participar
 
Para quem pretende iniciar no mundo das competições, a Copa Fusca é uma ótima escola pois como já diria Nelson Piquet “ quem pilota um Fusca, pilota qualquer carro de corrida”, e essas são palavras de um campeão, na verdade tri campeão.
 
O futuro piloto deve antes de tudo ter o carro que pode ser próprio, ou alugado. Depois pode optar por fazer o curso de pilotagem que dará a ele mais tranqüilidade e conhecimento para entrar na pista, ou optar por apenas fazer a carteira de piloto junto a FASP (Federação de Automobilismo de São Paulo), ter o macacão anti-chamas homologado pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), capacete, sapatilhas e luvas e depois ter a coragem de entrar na pista para ir buscar seu melhor tempo com a “fuketa” beirando os 190km/h.
 
Preparação
 
A preparação do motor do “speed” como também é conhecido é a seguinte.
 
O bloco do motor continua o mesmo de 1600cc, sua composição interna como, pistões, bielas, camisas e comando de válvulas, permanecem originais como manda o regulamento da categoria, visando o baixo custo na manutenção. As polias são alteradas da lisa, para polias dentadas, essas vindas do GM Chevette.
 
Os cabeçotes por sua vez, são retrabalhados livremente para se obter a melhor taxa de compressão, que vária entre 11 e 13:1. Os balanceiros sofrem trabalho nos “patinhos”.
 
O sistema de alimentação é feito por dois carburadores Solex 32 com retrabalhos internos, os coletores de admissão sofrem algumas modificações.
 
O escapamento é o cruzado, sem ponteiras.
 
No sistema de ignição, os cabos de velas podem ser livre de marca e modelo, a bobina nesse caso tem de ser original bem como o módulo de ignição, o distribuidor retrabalhado ajuda a espalhar a “faisqueira” para dentro do motor com a ajuda das quatro velas NGK, modelo B9EGV.
 
Para manter o bom e velho Boxer contraposto a ar bem refrigerado, na região frontal do carro, um radiador de óleo para capacidade de 500ml, é instalado, assim o motor agora com seus 110hps resiste bem as 18 voltas da etapa.
 
Para manter o carro no chão, a suspensão recebe amortecedores bem duros, as rodas são de Brasília, na frente originais de tala 5” e na traseira alargadas com tala máxima de 7”.
 
Os pneus são da Goodyear, modelo GPS3 nas medias 185/70/14 ou 185/65/14 lixados, para melhorar aderência em entrada de curva.
 
Os freio são originais, sendo pinça na dianteira e tambor na traseira.
 
Essas mudanças, não ficam muito caras para serem feitas e o resultado é de assustar, pois a “baratinha” se torna um canhão.
 
Por dentro
 
Segurança é fundamental, por isso no habitáculo do carro é instalado obrigatoriamente o sistema de gaiola mais conhecido com Santo-antonio. O banco é o modelo concha, com cinto de no mínimo quatro pontas.
 
No combate a um possível incêndio, um extintor de quatro kilos de pó químico,é obrigatório dentro do carro, que ajuda o piloto a não se “queimar” até a chegada do resgate.
 
No controle do que está acontecendo com o motor, são instalados conta-giros, manômetros de óleo e combustível, alem do termômetro de temperatura do óleo.
 
O volante fica livre de marca, porem proibido o de madeira.
 
Com isso, o piloto pode sentar no carro, fazer uma boa corrida tendo fé em Deus e no seu braço.
 
Texto e Fotos: Dê Machado
 
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