|
Turismo
5000
Relembre os velhos e bons tempos
em que sonhos de consumo disputavam o pódium em uma das provas
mais rápidas do automobilismo brasileiro dos anos 80.
Tente imaginar uma corrida da qual apenas possam participar Dodges,
Mavericks, Galaxies e outras barcas de potência semelhante, como
o nosso querido Landau, por exemplo.
Agora, procure visualizar esses
canhões alcançando uma velocidade média de 190Km/h.
Por último, imagine esta
mesma competição sendo realizada no belíssimo anel
externo do Autódromo de Interlagos. Imaginou?
Pois bem, concretize esses pensamentos e teremos a Turismo 5000. Criada
em 1980 pelo então presidente da federação de Automobilismo
de São Paulo, Orlando Casanova, e que teve o
seu auge no início da própria década de 80, período
em que o torneio era disputado apenas por esses majestosos automóveis
V8.
Considerada a prova mais rápida do automobilismo nacional, suas
etapas eram tão velozes, que a disputa ocorria apenas no anel
externo do autódromo paulista.
O sucesso dos amantes da velocidade tem algumas explicações
simples.
A primeira delas é que
no início da categoria bastava a pessoa ter um Galaxie, Dodge,
Maverick ou Landau, para fazer parte do grid de largada. Outro motivo
eram os custos do torneio.
Participar de uma temporada
da competição era mais barato do que integrar as fileiras
da recém criada Stock Car, já que os carros não
precisavam sofrer modificações, tornando muito barata
a participação dos competidores.
Além, é claro,
da divulgação e cobertura do evento por jornais e revistas
especializadas, que contribuíram para o crescimento da categoria.
Devido a alguns acidentes, o grid foi reduzido para 33 vagas, sendo
elas preenchidas por treinos classificatórios.Os
participantes que conseguiam largar em uma das etapas já poderiam
se considerar campeões, tamanha a dificuldade da prova.
As preparações dos carros eram limitadas para conter os
gastos absurdos.
Os Mavericks e Galaxies por
exemplo, usavam os motores 302 Ford e os Dodges usavam os motores 318.
A preparação era
bem simples, o comando original tinha retrabalho nas cabeças
e cabeçote rebaixado livremente para se obter a melhor taxa e
também contavam com os dutos de escape e admissão polidos.
A alimentação era
feita com carburador original bi Jet corpo duplo (até o final
de 85), os freios eram sem hidrovácuo com disco nas quatro rodas,
a suspensão original era retrabalhada.
Na primeira edição
do campeonato as rodas eram originais de ferro aro 15”, com pneus
radiais lixados, e em 1983 adotaram os pneus Slick com rodas esportivas
também com aro 15” para melhor entrada em curvas e diminuição
de tempo por volta.
Para alívio de peso,
usava-se acrílico no lugar dos vidros laterais e traseiro, pois
o parabrisa era obrigatório, sendo ele laminado.
Na carroceria algumas peças originais de lata eram substituídas
por peças de fibra e alguns carros ainda contavam com carenagem
e aerodinâmica, pois entrar nas curvas com esses carros a mais
de 150Km/h não era tarefa muito fácil.
O peso do veículo era
livre.
Apesar do sucesso da fórmula de disputa, no início da
temporada de 86 o regulamento da competição foi liberado,
e a categoria tornou-se uma espécie de força livre.
Nesse ano os carros já
estavam totalmente descaracterizados de seus aspectos originais. No
motor, a adoção do quadrijet e peças importadas,
por exemplo, encareceram o evento e o enorme grid de 33 carros foi reduzido
aos tristes 12 participantes extinguindo assim uma das melhores categorias
que já existiram no automobilismo paulista.
Durante pouco mais de meia década de existência vários
pilotos passaram por esta incrível e saudosa categoria, entre
os nomes conhecidos estão o de Ney Faustini e Sérgio Di
Gênova (ambos pilotos da Stock Car), Camillo Christófaro,
professor Expedito Marazzi (dono da escola de pilotagem Marazzi), José
Francki (vice-campeão de 84 e o primeiro piloto a correr de “Galaxão”),
Joannis Lykouropoulos e outros nomes não tão conhecidos
mas que fizeram história na categoria como Adalberto Tagashira
o “KOK”, Edmilson Santilli (vice-campeão de 81),
Walter Grosso, Sérgio “Sosó” Bernardo (vice-campeão
em 83), Pedro José Lioi “Pedrinho dos V8” (hoje preparador
da Históricos V8 5000), Marcos Fantinatti eleito destaque da
categoria em 1983, Herman Ferraz e Marlene Mayer, a única mulher
a participar da categoria, correndo com um Maverick na temporada de
1973.
Os maiores detentores de títulos na Turismo 5000 são Nery
Fustini, conquistou o tetra-capeonato (80, 81, 84 e 85), Adalberto Tagashira,
bicampeão nos anos de 82 e 83, e Arnaldo Versarini, com dois
vice-campeonato conquistados em 85 e 86.
Para matar a saudade desses carros veja matéria do Maverick Turismo
5000.
Texto: Dê Machado
Fotos: Arquivo Dê Machado
|