Opalas
na pista
Pode não parecer, mas já se passaram quarenta anos desde
q primeira aparição do valente e imponente Opala no cenário
automobilístico mundial. De lá pra cá, aos trancos,
barrancos, derrapadas e bruscas aceleradas ele foi conquistando o seu
espaço, acumulando títulos, fãs e melhorando cada
vez mais o seu desempenho.
Hoje, apesar de já extinto,
continua recebendo elogios e arrancando suspiros por onde passa, ou
seja, colhendo os frutos que plantou ao longo da sua bela trajetória
de sucesso.
Em 1969, exatamente no ano de lançamento do Opala no Brasil,
o piloto Pedro Victor Lamare já desfilava nas pistas a bordo
de sua recém adquirida máquina e, mais nova menina dos
olhos de milhares de brasileiros apaixonados por carros.
Lamare disputou algumas etapas
da Turismo Nacional, categoria de marcas nacionais com carros de fabricação
em série acima de 5.000 unidades produzidas, com um valente Opala
quatro portas.
Contudo o projeto criado pela CBA (Confederação Brasileira
de Automobilismo) e intitulado Turismo Nacional, não durou muito
tempo, em 1971 mudou de nome, passando a se chamar Divisão 3.
Porém, a alteração pouco influenciou no desempenho
de Lamares e seu valente Opala que foram campeões da categoria,
mérito também do ilustre preparador do carro Carlos Luiz
Telez, “Carlito”.
No final desse mesmo ano, a Chevrolet, com olhos, cabeça, corpo
e membros apontados para os lucros da empresa, desenvolveu uma carroceria
Cupê para ser adaptada ao Opala já na próxima temporada,
a de 72, quando o afiado Lamare tornou-se bicampeão em sua categoria.
Em 1973, com Richard Divilam no posto de chefe da equipe, a escuderia
desenvolveu um verdadeiro canhão com 240HPs, 3 webers 48, câmbio
ZF de cinco marchas, freio a disco nas quatro rodas, suspensão
totalmente preparada e rodas com pneus Slick.
Tanta comida para a fera não poderia dar outro resultado, outro
título: “o carro era tão bem feito que eu conseguia
fazer a curva 1 de Interlagos em 5º marcha e com o pé embaixo”,
conta Delamare.
O desempenho do carro era tamanho que Pedro Victor, antes de ir para
a Europa, ainda marcou o recorde da pista velha de Interlagos para carros
de turismo, cravando o tempo de 3 minutos e 15 segundos, conquistando
assim o tricampeonato e alavancando o Opala rumo ao sucesso.
No início de 1974, o poderoso Opala de Lamare passou para as
mãos de Edson Yoshikuma. No mesmo período chegavam para
brigar pelo título os V8s da Ford, representados pelo imponente
Maverick.
Paralelamente ás disputas da Divisão 3, em que os carros
eram bem preparados, uma outra categoria também apresentava o
GM Opala com destaque nas disputas por posições, era a
Divisão 1, que utilizava o modelo com motor 4.100, porém
sem muitos retrabalhos ou modificações, pois o regulamento
não permitia muita coisa. Títulos? Sim, o Opala conquistou
muitos.
Na divisão 1 os Opalas
recebiam uma preparação mais leve e utilizavam o motor
4100, pois o regulamento não permitia veneno excessivo.
A Divisão 3 foi disputada entre os anos 1970 e 78, já
que ao passar para o ano de 1979, ela começou a agonizar, e antes
mesmo de seu término, a ABRAC (Associação Brasileira
Chevrolet Stock Cars. A recém criada etapa tinha como objetivo
promover corridas pelo Brasil a fora. O carro escolhido para o campeonato
mais uma vez foi o Opala, graças a sua força, elegância
e principalmente por ser um veículo de tração traseira
excelente para corridas.
A primeira corrida válida pelo Torneio Brasileiro Chevrolet Stock
Cars aconteceu no dia 22 de abril de 1979 no autódromo de Tarumã,
com vitória de Affonso Giaffone. Sendo disputado apenas pelo
modelo Cupê, o campeonato mostrou as formas do Opala até
o final da temporada de 1986. No ano seguinte, a Chevrolet não
mais bancou o torneio e o carro agora com uma carenagem de fibra de
vidro, em nada lembrava o bom e velho Opalão, que ficou escondido
por debaixo desta casca denominada Caio Hidroplas (caio é uma
famosa construtora de ônibus) até 1989.
Mas não demorou muito e a montadora, novamente interessada em
competições, logo voltou a bancar o evento.
O Opala ainda continuava com
a casca de fibra, porém remodelada e trazendo novas formas que
lembravam a cara original do carro, o desenho permaneceu no campeonato
até o final da temporada de 1993, quando foi aposentado e cedeu
lugar aos Omegas.
“Ingo Hoffmann conquistou de Opala os títulos brasileiros
de Stock Cars nos anos de 80, 85, 89, 90, 91, 92 e 93, sendo que nos
três últimos dividiu a direção do carro com
o paranaense Ângelo Giobelli”.
Nas provas de longa duração
como as Mil Milhas e os 500Km de Interlagos, o Opala por diversas vezes
conduziu seus pilotos ao lugar mais alto do pódium.
Em São Paulo, ainda encontramos alguns Opalas correndo pelo campeonato
paulista de Força Livre, na classe C. No começo dessa
categoria em 1986 as disputas eram no campeonato de Hot Cars, depois
disso a categoria sofreu várias mudanças de nomes, passando
pela Super Stock e o Stock Paulista.
Nesses campeonatos chegaram
a largar mais de 35 carros promovendo pegas inesquecíveis.
O brilhantismo do Opala ainda hoje pode ser visto em diversas provas
de arrancada espalhadas pelo Brasil. Nesses campeonatos podemos encontrar
também os bons e velhos motores seis cilindros nas mais diversas
formas de preparação: aspirado, turbinado, nitrado, ou
todos juntos.
Por ser forte, resistente, robusto
e adorado por milhões de pessoas é que trouxemos essas
imagens e lembranças de pista de um dos carros mais adotados
do Brasil.
Alguns números do Opala na pista:
Foram 139 participações na Stock car de 1979 à
1992
Foi do Opala o recorde de velocidade em 1991 marcando 315 Km por hora
na mão de Fábio Sotto Mayor.
Em São Paulo foram dois
campeonatos destinados só para Opalas, Super Stock e Stock Paulista
além da Stock car.
Algumas das feras que
passaram pelo Opala:
Cyro Caires
Jan Balder
Luis Pereira Bueno
Camillo Christófaro
Ingo Hoffman
Paulo Gomes
Chico Serra
Ney Faustini
Camillo Cristófaro Jr.
Carlos Alves
Zeca Salsicha
Batistinha
Fábio Sotto Mayor
Toninho da Matta
Precisa perguntar porque tanta saudade desse carro?
Texto: Dê Machado
Fotos: Arquivo Dê Machado
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