Maverick Turismo 5000
Em 1986, mas precisamente no
seu final, os amantes do automobilismo infelizmente assistiam à
morte da categoria que, sem dúvida alguma foi a mais rápida
em questão de velocidade e existência, a Turismo 5000.
Nesta categoria competia o Ford Maverick, Chryles Dodge dart e Charger
e, acreditem, o Galaxie, muito embora tenha sido representado na pista
apenas por dois carros e em temporadas distintas.
O Maverick foi o carro escolhido por muitos pilotos da época,
entre eles o italianíssimo Sérgio Di Gênova, ultimo
campeão da categoria utilizando o carro que iremos conhecer agora.
Di Gênova, como é conhecido nas pistas, chegou a correr
em outras categorias, inclusive na Stock Car nas décadas de 1990
e 2000. Apesar disso, sua grande paixão sempre foi mesmo o forte
motor V8.
No início da T5000, “Serjão” (como também
é conhecido) disputou algumas provas com um Dodge Dart, mas,
como gostava também dos Maverick, optou então em montar
um modelo fabricado em 1975 para disputa das etapas uma vez que o carro
é bem mais leve que o Dodge: “este carro não me
lembro bem em que ano foi montado, pois fazíamos carros em série”
comenta o piloto.
Este Ford Maverick Super Luxo ano 1975, estranha a quem olha, pois recebeu
uma carenagem dianteira que descaracteriza sua linda frente original.
Essa descaracterização foi feita para melhorar à
aerodinâmica do carro, que atingia a velocidade de 250km/h. Isso
mesmo, 250km/h vinte anos atrás, mas vale a ressalva que essa
carenagem só apareceu nos dois últimos anos da categoria.
Segundo Sérgio, o carro continua idêntico ao que era em
sua última aparição nas pistas, quando conquistou
o título da categoria em sua última temporada.
Por dentro, comparado aos carros de hoje, chega a ser feio. Pouquíssimos
instrumentos, chave geral ao lado do motorista com os dizeres escritos
“à mão”... mas, como já dissemos, isso
comparado com os carros de hoje que são totalmente eletrônicos.
O arco “Santantonio” era montado com suas emendas feitas
por porcas e parafusos, hoje banido do automobilismo, por razões
óbvias de segurança segundo determinação
FIA (federação internacional de automobilismo).
As condições internas do carro são excelentes.
Assoalho bem conservado, portas sem ferrugem, realmente muito bem conservado.
A pintura chama atenção também, principalmente
no que se diz respeito aos patrocinadores, que tinham os logos desenhados
e pintados diretamente na lata do carro.
O motor da máquina, um V8 302, sofreu algumas modificações,
para entrar na pista e sagrar-se um verdadeiro campeão: o combustível
passou a Álcool; o cabeçote foi retrabalhado e passou
a ter a taxa de compressão de 11,0:1 que antes era de 7,7:1 o
comando foi alterado para um “Skynderiam 312°”, aumentando
o tempo de abertura das válvulas, que aliadas ao conjunto de
balanceiros roletados melhoram ainda mais a abertura.
Uma curiosidade nesta preparação é o carburador:
um Bi-Jet original montado em cima de três bases de alumínio,
que têm a função de aumentar a altura do carburador
em relação ao coletor. Com isso se ganha velocidade no
fluxo de ar/combustível, melhorando a aspiração
e fazendo o motor “encher” mais rápido, com isso
ganhando mais potência. As bielas e os pistões são
originais.
Foi feito um cárter sob medida, com capacidade para oito litros
de óleo. O sistema conta ainda com “aletas” para
melhor refrigerar sistema de arrefecimento, e assim o carro trabalhar
com mais pressão na bomba (pois o motor trabalha entre 6.500
e 7000 RPM).
A caixa de câmbio utilizada é a original do modelo, somente
com a terceira marcha “alongada” para descer a reta de “pé
tuchado”, e o diferencial é ”blocado”.
O sistema de ignição é original, ou seja, distribuidor
e platinado, pois o regulamento não permitia sua substituição.
As velas, bem como a bobina, também são originais.
A suspensão tem um trabalho diferente. Manga de eixo e bandejas
são originais, com a cambagem assim acertada: a roda do lado
esquerdo trabalha com um grau de inclinação contra quatro
na roda esquerda. Estas medidas foram adotadas porque as corridas da
Turismo 5000 eram disputadas somente no anel externo de Interlagos,
e as curvas eram todas para esquerda.
Os amortecedores são Bilsten.
Por baixo do carro é possível notar na parte traseira
um acessório para refrigerar o sistema de freios, a disco nas
quatro rodas, com pinças traseiras do VW Brasília.
As rodas são de ferro aro 14” e tala de 8”, calçados
com pneus Pirelli P7 225/70/14”.
Esta máquina, hoje de
grande valor sentimental para seu dono, e devido ao seu histórico
de sucesso para o automobilismo brasileiro, ainda ficará guardado
por mais longos anos, pois seu dono não tem intenção
nenhuma em vendê-lo. Se ficou interessado em botar as mãos
nesta obra-de-arte, nem adianta ofertar valores, pois a resposta será
certamente negativa.
Texto e fotos: Dê Machado
Agradecimentos:
Adonys
San Martin Escapamentos
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