Divisão
3
1970. O Automobilismo nacional faz festa, é anunciada a criação
da categoria turismo nacional!
Posteriormente conhecido como Divisão 3, o acirrado campeonato
caiu nas graças do público e rapidamente tornou-se um
dos mais festejados de sua época
Um dos principais fatores para criação desta categoria
foi a injeção de profissionalismo que os organizadores
do evento queriam dar ao automobilismo nacional, principalmente em relação
á segurança, pois até o começo da década
de setenta, uma única corrida era disputada por protótipos,
carreteras, carros de turismo e imaginem, monoposto como carros de F3,
com isso as etapas tornavam-se arriscadas e perigosas, uma vez que torpedos
como o Ford GT40 disputava freadas com Gordinis, DKWs e os pequeninos
Fuscas.
Como o próprio nome já
diz, a categoria Turismo Nacional nasceu com o propósito de só
ser disputada por veículos de fabricação nacional
e com produção em linha acima das cinco mil unidades (com
exceção dos Pumas e Lorenas que se enquadravam nas Divisões
2 e 4).
Porém, antes mesmo de sair
do papel, ainda em 1970, o projeto, não se sabe por que, não
vingou, restando apenas o sonho na cabeça de seus idealizadores.
Fora decidido na ocasião
que inicialmente a nova corrida seria denominada apenas como um Torneio.
Um ano depois, em 1971, a CBA (Confederação Brasileira
de Automobilismo) anunciou no calendário oficial de competições
nacionais uma nova categoria, homônima aquela de 1970, contudo,
desta vez denominada como Campeonato Brasileiro de Divisão 3,
a D-3.
Não demorou muito, e logo o campeonato tornou-se a principal
categoria de turismo da época, caindo na graça dos apreciadores
do bom automobilismo que lotavam todas as etapas por onde os carros
corriam. E como todos os demais eventos cem sucedidos, a Divisão
3 atraiu também os olhares das empresas.
Entre os principais patrocinadores
da época destaca-se a Caixa Econômica Federal, que bancou
a temporada de 1975.
“Além do Campeonato Brasileiro de Divisão 3, existiu
também o Campeonato Paulista de Divisão 3. Tão
famoso quanto o torneio de abrangência nacional”.
Mas nem tudo eram rosas na D-3. O seu alto custo de participação
e a criação da categoria Divisão 1, cujos carros
eram quase que originais e ainda contavam com a participação
de dois pilotos estrangeiros, o argentino Juan Maria e o uruguaio Pedro
Passdore, foram fatores determinantes para o início das primeiras
baixas da categoria que perdeu público e começou a ter
menos carros nos grids, uma vez que as etapas já não contavam
com a classe B, restando apenas a A e C.
Em 1977 o governo decretou a proibição de corridas de
lona duração, com isso a classe C também deixou
de existir.
Por mais seis anos a categoria ainda permaneceu em atividade, porém
apenas com participação dos modelos da Volkswagem. Na
temporada de 1984, a categoria retornou a pista com o nome de Hot Car,
decretava-se assim o fim de mais uma belíssima categoria de automobilismo
nacional, a Divisão 3.
Entre os pilotos que na ocasião eram iniciantes e que hoje, ainda
em atividade, são referências para muitos pilotos, estavam
Alfredo Guaraná Menezes, Fábio Sotto Mayor, o “Peru”,
Ingo Hoffmann, Paulão Gomes, Amadeu Rodrigues e outros, alguns
que já se afastaram das pistas e outros que ainda estão
envolvidos com o automobilismo, porém todos registraram para
sempre seus nomes na história do automobilismo por seu carisma,
garra, empenho, arrojo e audácia, como Pedro Victor De Lamare,
Artur Fernandes, Edson Yoshikuma, Renato Tite Catapani e os saudosos
Ciro Cayres e Camilo Christófario, o velho Lobo do Canindé.
Os carros da Divisão 3 eram divididos em três classes diferentes:
A, B e C, como quase todas as categorias da época.
Na classe A, o domínio absoluto era dos VWs, Fuscas na maioria.
Brasílias e um ou outro VW 1600 quatro portas, o popular Zé
do Caixão e o GM Chevette que recentemente havia sido lançado
no Brasil e que já de imediato, conquistara seu lugar na pista,
na verdade, dois lugares, um sob domínio de Edson Graczyk e o
outro guiado por Newton Pereira.
Nessa classe , um dos carros de maior sucesso era a Brasília
número 17 de Ingo Hoffmann, carro com qual o “Alemão”
conquistou o título da categoria em 2973. Até hoje este
carro é lembrado com saudades.
Ainda nessa classe, o Ford Corcel tinha autorização para
participar do campeonato, porém equipado com um limitado motor
1.3. A determinação fez que ele ficasse constantemente
fora das competições, dando o ar da graça apenas
nas etapas no Rio Grande do Sul, onde existia uma classe até
1300c.
A preparação dos Fuscas dessa classe era bem “pesada”.
Os carros sofriam algumas modificações tanto externas
quanto internas, as externas consistiam no alargamento dos paralamas
para alojar com segurança as rodas de aro 13”, com talas
de quase 10” e que eram calçados com pneus Slick.
O motor era Boxer de 1600cc com comando americano e molas de válvulas
especiais. A alimentação era feita por dois carburadores
Italianos Weber 48. O câmbio vinha da Inglaterra e Ra de cinco
marchas Hewland.
O carro chegava a beirar os 200Km/h
e tinha estimados 155Hps. Para que se tenha idéia, os “Fuscas”
atropelavam os grandalhões Opalas e Mavericks, só perdendo
posição em retas.
Pela classe B, que existiu apenas no ano de 1972, sempre tentando sobreviver
etapa após etapa, as portas eram abertas para participação
aos FNM e Opalas 2500.
Um dos pilotos que arriscaram a
pelo correndo de FNM foi José Pedro Chateaubriand, único
piloto a conquistar o título dessa classe.
Um fator determinante para o fim dessa classe era o custo da preparação
dos carros, pois a mecânica do FNM era italiana e as peças
eram muito caras e não andavam tanto quanto deveria pelo valor
da preparação, assim aconteceu com o Opala 2500 que embora
com a preparação um pouco mais barata não ficava
tão veloz, perdendo com muita facilidade para os Fuscas.
A classe C tinha seu grid formado por Opalas 3800, que dominaram a categoria
por alguns anos, até a chegada do Ford Maverick que acabava de
ser lançado em terras tupiniquins, fazendo sua estréia
na última etapa de 1973.
O regulamento ainda permitia a
participação dos Galaxies , que nunca participaram sequer
uma única etapa do campeonato. E a explicação para
tal fenômeno é a seguinte: acontece que ninguém
teve a ousadia de preparar um “Galaxão”, por isso
o modelo nunca visto em uma prova da divisão 3.
Já os Dodges Chargers apareceram
pela primeira vez na categoria disputando a prova dos 500Km de Interlagos
em 1974, pilotado por Nelson Marcílio, e posteriormente em 1975
um outro exemplar do modelo alinharia no grid pilotado por Leopoldo
Abi-Eçab.
Com a chegada do Maverick, a hegemonia dos Opalas cairia, pois muitas
equipes trocariam o modelo da GM pelo modelo da Ford, exemplo disso
foi a equipe Hollywood, que, por várias etapas, disputou corridas
com o carro da GM não obtendo muita sorte, e optou por correr
com um Maverick, preparado pelo Argentino Oreste Berta, e guiado por
Tite Catapani e posteirormente por Luis Pereira Bueno conquistando mais
vitórias em relação a sua participação
com o Opala. Esse carro ainda hoje é montado e bem guardado por
Luis Pereira que ainda participa de algumas provas festivas, como os
500 Km de Interlagos.
Outro Maverick extremamente forte era o da equipe Mercantil-Finasa,
preparado por Marco Antônio Greco, carro que daria a Paulão
Gomes o título da categoria D3 classe C em 1975 e consecutivamente
para Bob Sharp em 76.
Os Campeões
1971 – Pedro Victor De Lamare
1972 – Classe A: Leonel Friedrich, Classe B: José Pedro
Chateubriand, Classe C: Pedro Victor De Lamare
1973 – Classe A: Ingo Hoffmann, Classe C: Pedro Victor De Lamre
1974 – Classe A: Ingo Hoffmann, Classe C: Edgard Mello Filho
1975 – Classe A: Amadeo Campos, Classe C: Paulo de Mello Gomes
1976 – Classe A: Vital Machado, Classe C: Bob Sharp
1977 – Amadeo Campos
1979 – Arturo Fernandes
1980 – Arturo Fernandes
1981 – Toninho da Matta
1982 – José Junqueira
1983 – Toninho da Matta
Texto: Dê Machado
Fotos: Arquivo Dê Machado
e Rogério da Luz
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